Atualmente as mulheres são economicamente ativas, têm seus empregos ou são empresárias, com responsabilidade e poder de decisão.

Após os 40 anos de idade, com os filhos já criados, a dedicação à profissão tende a aumentar, e é exatamente nessa fase que estão sujeitas a uma grande mudança fisiológica hormonal, trazendo várias consequências no sentido de prejudicar a desenvoltura, o humor, a capacitação, a concentração, a estética, a sexualidade e a qualidade do descanso necessário, além de aumentar a mortalidade face à predisposição a patologias relacionadas.

Cabe aos profissionais de saúde, em especial os médicos, atender e satisfazer a esta demanda, prolongando a capacitação profissional e melhorando a qualidade de vida, prevenindo as possíveis ocorrências indesejadas e, assim, trazendo benefícios reais de bem estar.

A menopausa é o fim da fase reprodutiva da mulher. Não deve ser, entretanto, o fim da fase produtiva.

 

História da reposição hormonal e controvérsias

Em 1943, Allen W extraiu e isolou da urina de éguas prenhes os estrógenos que o animal produzia. Chamados de estrógenos conjugados, estes continham estrógenos do animal, entre eles a equilina.

Estes hormônios, bem diferentes dos nossos, hoje, sabidamente são danosos ao ser humano, porém até 1975, 6 milhões de mulheres já haviam sido tratadas com este hormônio.

Com o tempo, os médicos passaram a verificar algumas incoerências no tratamento, principalmente o aumento da incidência de diversos tipos de cânceres.

Na década de 90, um estudo envolvendo 121.700 mulheres submetidas à reposição hormonal tradicional (hormônios sintéticos não-bioidênticos), demonstrou um aumento de risco de câncer de mama em mais de 30% destas mulheres, sendo que em mulheres acima de 60 anos, esse risco superava a margem de 70%.

Com o passar do tempo, concluiu-se que a reposição hormonal não era benéfica, causando um grande tumulto entre a classe médica e as mulheres que estavam em tratamento ou que pretendiam ser tratadas.

Tanto neste estudo quanto na administração de estrógenos conjugados, foi utilizada a mesma dose para todas as mulheres, então podemos perguntar: O que aconteceria se uma terapia diferenciada e individualizada tivesse sido administrada a essas mulheres? Será que o resultado seria o mesmo?

 

Modulação Hormonal Bioidêntica

Na mesma década de 90, três pesquisadores, em meio a estas controvérsias, concluíram que sim, a reposição hormonal era importante e necessária, porém a questão era como fazê-la.

Surgiu então o conceito da Modulação Hormonal Bioidêntica, onde os hormônios utilizados eram iguais aos hormônios humanos. Com isto, diminuíram-se significativamente os efeitos indesejáveis dos hormônios não bioidênticos (estrógenos e progestatinas). Também este conceito agregou as diversas terapias modernamente empregadas, respeitando a individualidade dos pacientes.

A terapia precisa ser individualizada para cada mulher, devem-se levar em consideração seus sintomas naquele momento, seus níveis hormonais, seu histórico clínico, sua idade e até a fase da vida em que ela se encontra.

Só assim é possível fazer a escolha da terapia mais adequada, utilizando as menores doses possíveis e a melhor via de administração para se obter o resultado desejado da forma mais segura possível.

 

Hormônios bioidênticos

O termo bioidêntico refere-se a uma substância cuja estrutura molecular é exatamente idêntica a dos equivalentes endógenos, independentemente da fonte da qual se origina (natural ou sintética)

A terapia de modulação hormonal bioidêntica (TMHB) refere-se ao uso apenas de hormônios idênticos aos produzidos pelo organismo, em vez de substâncias estranhas ao organismo humano.

Hormônios bioidênticos possuem maior eficácia e menor incidência de efeitos indesejáveis, e são uma das alternativas terapêuticas mais interessantes já disponíveis.

 

*Texto adaptado do capítulo 5 do livro “Terapia de Modulação Hormonal Bioidêntica”, que você encontra na Medicativa.